segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Estrutura do relatório


Conforme o tipo de relatório, este tem uma estrutura específica. Vejamos as partes que comumente compõem diversos tipos de relatórios (forma e conteúdo):
Capa: contendo o título do relatório, o nome do autor, o nome da instituição ou da empresa pela qual se executou a atividade objeto do relatório, o local onde foi escrito e a data (geralmente mês e ano ou só ano).
 Modelo:

Colégio Salesiano
Ensino Médio Profissionalizante




Relatório semestral
das Atividades do
 Grêmio Estudantil



Responsável: Hipócrita Medeiro
Cargo: Presidente
Araçatuba
1999
Obs. A apresentação geral (tamanho e tipo das letras, margens, espaços) é variável.

Folha de rosto – incluindo os dados bibliográficos essenciais do relatório: título (e subtítulo, se houver), autor(es), editor (se houver), local e data da edição (se for o caso).
Obs. A folha de rosto é dispensável, se o relatório não se destina à publicação.

Sumário – índice dos tópicos tratados, com a indicação das páginas.


Introdução – declarando-se o propósito do relatório, ou seja, dizendo-se porque e/ou para que ele foi redigido. Dependendo do tipo de relatório, contém: a indicação de quem/ o que determinou a tarefa, a pesquisa ou a investigação; o método adotado; o equipamento usado; as pessoas envolvidas ou colaboradores.

Desenvolvimento – relatando-se pormenorizadamente os procedimentos realizados e os fatos ocorridos ou apurados, com a indicação de data(s), local(is), método(s) adotado(s), pessoas/equipamentos envolvidos, julgamento dos fatos ou considerações sobre os fenômenos observados. Em geral, é dividido em tópicos e subtópicos específicos que devem ser intitulados.

Conclusão – contendo as considerações finais a respeito da tarefa, da pesquisa ou da investigação, tais como: retomada das conclusões parciais (de cada tópico), interpretação e crítica dos fatos apurados, recomendação de providências cabíveis, sugestões.

Fecho – incluindo o local, a data e a assinatura do autor.

Anexos – contendo tabelas, dados estatísticos, gráficos, ilustrações, documentos comprobatórios, etc. que não se incluem diretamente no desenvolvimento.

2. Tipos de relatórios

Odacir Beltrão, em seu livro Correspondências (16ª edição, são Paulo, Atlas, 1981) enumera, entre outros, os seguintes tipos de relatórios:
Relatório de gestão anual – elaborado em período regulares (em geral, um ano civil, fiscal, financeiro); nas empresas, é exigido por lei o estatuto, sendo destinado aos sócios acionistas ou à população (empresas estatais).
Relatório de inquérito (policial, administrativo, etc.) – elaborado, eventualmente, para fins de investigação, de estudo de normas de procedimento, de relato de visita.
Relatório parcial – elaboração para abranger uma fração de exercício ou de gestão (mensal, trimestral, semestral).
Relatório de rotina – elaborado em função da rotina de trabalho de gerência, chefia e equivalentes.
Relatório de pesquisa – elaborado por profissional técnico ou científico, ao final da pesquisa (laboratório, campo, gabinete).
Relatório científico – elaborado por pesquisadores científicos, em função de atividades acadêmicas ou para divulgação em revistas científicas.

 Modalidades de redação no relatório

Normalmente, num relatório, são usadas as três modalidades de redação: a descrição (de objetos, de procedimentos, de fenômenos), a narração (de fatos ou ocorrências) e a dissertação (explanação didática, argumentação).
É evidente que a redação deve ser clara, coerente e pautar-se pelo uso da norma culta escrita.
A linguagem usada normalmente é formal, mas há exemplos de relatórios em que a criatividade estilística rompe a rotina e o estereótipo, como o que foi escrito por Graciliano Ramos, quando era prefeito de Palmeira dos Índios (1928) e do qual transcrevemos um fragmento:

Exmo. Sr. Governador:

        Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeiras dos Índios em 1928.
        Não foram muitos, que os nossos recursos são exíguos. Assim minguados, entretanto, quase insensíveis ao observador afastado, que desconheça as condições em que o Município se achava, muito me custaram.

COMEÇOS

        O PRINCIPAL, o que sem demora iniciei, o de que dependiam todos os outros, segundo creio, foi estabelecer alguma ordem na administração.
        Havia em Palmeira inúmeros prefeitos: os cobradores de impostos, o comandante do destacamento, os soldados, outros que desejassem administrar. Cada  pedaço do Município tinha a sua administração particular, com prefeitos, coronéis e prefeitos inspetores de quarteirões. Os fiscais, esses, resolviam questões de polícia e advogavam.
        Para que semelhante anomalia desaparecesse lutei com tenacidade e encontrei obstáculos dentro da Prefeitura e fora dela - dentro, uma resistência mole, suave, de algodão em rama; fora, uma campanha sorna, oblíqua, carregada de bílis. Pensavam uns que tudo ia bem nas mãos de Nosso Senhor, que administra melhor do que todos nós; outros me davam três meses para levar um tiro.
            Dos funcionários que encontrei em janeiro do ano passado restam poucos: saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma. Os atuais não se metem onde não são necessários, cumprem as suas obrigações e, sobretudo, não se enganam em contas.  Devo muito a eles.
            Não sei se a administração do Município é boa ou ruim. Talvez pudesse ser pior.

ILUMINAÇÃO

            A iluminação da cidade custou 8:921$800. Se é muito, a culpa não é minha: é de quem fez o contrato com a empresa fornecedora de luz.

OBRAS PÚBLICAS

            Gastei com obras públicas 2:908$350, que serviram para construir um muro no edifício da Prefeitura, aumentar e pintar o açougue público, arranjar outro açougue para gado miúdo, reparar as ruas esburacadas, desviar as águas que, em épocas de trovoadas, inundavam a cidade, melhorar o curral do matadouro e comprar ferramentas. Adquiri picaretas, pás, enxadas, martelos, marrões, marretas, carros para aterro, aço para brocas, alavancas etc. Montei uma pequena oficina para consertar os utensílios estragados.

EVENTUAIS

           Houve 1:069$700 de despesas eventuais: feitio e conserto de medidas, materiais para aferição, placas. 724$000 foram-se para uniformizar as medidas pertencentes ao Município. Os litros aqui tinham mil e quatrocentos gramas. Em algumas aldeias subiam, em outras desciam. Os negociantes de cal usavam caixões de querosene e caixões de sabão, a que arrancavam tábuas, para enganar o comprador. Fui descaradamente roubado em compras de cal para os trabalhos públicos.

CEMITÉRIO

   No cemitério enterrei 189$000 – pagamento ao coveiro e conservação. (in Viventes de Alagoas, Graciliano Ramos)


8 comentários:

  1. MUITO BOM TODAS INFORMAÇÕES QUE EU PRECISAVA ESTAVA NESTE SITE

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  2. mui obrigado prla ajuda

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  3. Só existe esses tipos de relatórios?

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  4. O material apresenta um conteúdo satisfatório para a necessidade básica e fundamental sobre tipos variado de relatório. Gostei muito.
    W.P.

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    1. que belha ayuda ayudasteme nuy obligado

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